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Centro de Interpretação Garcia d’Orta

A abrir brevemente

Este espaço museológico será dedicado a Garcia d’Orta, cristão-novo natural de Castelo de Vide, figura relevante do Renascimento Português e importante médico naturalista de dimensão mundial. Será instalado no edifício das antigas Termas de Castelo de Vide.

 

Memórias do edifício, nota histórica-artística

Uma das primeiras referências ás águas de Castelo de Vide data de 1706, e refere-se à Fonte da Vila, cuja edificação deverá remontar ao reinado de D. João III.

 

Apesar da excelência reconhecida da água e das suas propriedades terapêuticas, bem como a importância local da fonte (que constitui um ponto gerador do próprio sistema urbano medieval), como esta, outras nascentes da localidade - caso da Fonte da Mealhada -, só foram consideradas por Charles Lepierre em 1918, data a partir da qual começou a ser estudada a captação da nascente. Em 1940 iniciaram-se estudos para novas captações, e teve início a construção do balneário.

 

A vila medieval recebeu assim uma rede de esgotos moderna, e todo o caudal da Fonte da Vila foi para o complexo termal.

 

O balneário ficou concluído em 1942, com o projeto dos arquitetos Ernesto e Camilo Korrodi.

 

O estabelecimento termal e anexos, localizados a cerca de 20 metros da Fonte da Vila e num nível médio a 4 a 5 metros inferior a esta, incluía um buvette (sendo que a água de Castelo de Vide é particularmente adequada a tratamentos por ingestão). Havia quatro quartos de banho para homens e quatro para mulheres, e cabines para duches e outros tratamentos. O edifício, de dimensões modestas, é um exemplo típico da arquitetura pública do Estado Novo, de estética regionalista. As termas funcionaram até ao início da década de 90.

 

O edificado foi recuperado e encontra-se pronto para receber o Centro de Interpretação Garcia d’Orta e um espaço dedicado à memória do edifício.

 

Garcia D´Orta

Garcia de Orta (1501-1568)

Garcia de Orta nasceu, em 1501, em Castelo de Vide, distrito de Portalegre. Os seus pais, Fenando Isaac de Orta e Leonor Gomes, eram Judeus, tendo sido expulsos de Espanha em 1942 pelos Reis Católicos.

 

Estudou em Espanha, nomeadamente em Salamanca e Alcaná de Henares. Tirou o Bacharelato em Artes e licenciou-se em medicina e Filosofia Natural. Foi durante o percurso universitário que surgiu o interesse pelo estudo de plantas medicinais.

 

Por volta de 1523, regressa a Portugal para exercer medicina na cidade onde nasceu tornando-se, mais tarde, médico de D. João III, em Lisboa. Aí conhece o ilustre matemático (e também cristão novo) Pedro Nunes.

 

Concorre três vezes ao lugar de professor na Universidade de Lisboa, sendo-lhe atribuído o cargo de Professor de Filosofia Natural, em 1530. Respeitado pelos alunos e com uma grande paixão pelo conhecimento, Garcia da Orta salienta a importância da observação e dos sentidos para a realização de novas descobertas.

 

Apesar de ter sido eleito deputado do Conselho Universitário, a 12 de março de 1534, procurando e não encontrando um lugar onde houvesse espaço para a experimentação, de forma a poder satisfazer a sua mente curiosa, decide então partir para a Índia. Embarcou como médico pessoal de Martim Afonso de Sousa, um amigo que fora nomeado vice-rei da Índia. Em Goa, familiariza-se com a literatura médica da Índia e com a grande variedade de plantas, animais e resinas utilizadas para tratar doentes. É, também, nesta cidade que estabelece amizade com o ainda desconhecido Luís de Camões, que lhe dedicou alguns poemas. Posteriormente, como recompensa dos seus serviços, o vice-rei entrega-lhe o foro de Bombaim. Mandou, então, construir um jardim botânico. Por volta de 1541 casa-se com Brianda de Solis.

 

Em abril de 1563, publica a sua notável obra “Colóquios dos Simples e Drogas he Cousas Medicinais da Índia” incidindo esta no estudo de espécies de plantas da Índia e as suas aplicações da Medicina. Nesta obra, constituída por 58 Colóquios, Garcia de Orta estabelece um diálogo com Ruano, amigo imaginário ao qual expõe as suas investigações. Para Além do seu enorme valor científico, o livro conta, ainda, com a primeira poesia impressa de Luís de Camões. É de salientar que foi o primeiro registo cientifico de plantas do Oriente feito por um europeu. Foi traduzido para várias línguas, sendo a versão mais conhecida um resumo em latim da autora de Charles L´Eccluse.

 

Em 1568, em Goa morre de sífilis e embora nunca tenha tido diretamente problemas com a Inquisição, a 4 de Dezembro de 1580 os seus ossos foram desenterrados e queimados em auto de fé juntamente com exemplares do seu livro.